
Desde sua primeira edição em 1929, a cerimônia do Oscar tem sido um espelho direto da evolução da indústria cinematográfica. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela premiação anual, precisou se adaptar continuamente a novas tecnologias, tendências culturais e mudanças nos processos de produção. Essa constante adaptação resultou na extinção ou fusão de diversas categorias que, em outros tempos, foram consideradas fundamentais, criando um registro fascinante de prêmios que não fazem mais parte da celebração mais importante do cinema.
A necessidade de ajustes reflete a dinâmica do setor, onde categorias para títulos de filmes mudos ou assistentes de direção, por exemplo, tornaram-se obsoletas. Enquanto hoje se discute a possível criação de prêmios para dublês ou elenco, o passado da Academia já honrou funções muito específicas, evidenciando como a premiação se molda às transformações da sétima arte e às demandas de cada época.
Entre as categorias extintas mais conhecidas está o Oscar Juvenil (Academy Juvenile Award), uma honraria especial concedida entre 1935 e 1961. Seu objetivo era reconhecer o talento de atores menores de 18 anos, evitando que competissem diretamente com veteranos adultos. Os vencedores recebiam uma miniatura da estatueta, com cerca de metade do tamanho original. Nomes lendários como Shirley Temple, aos seis anos em 1935, Judy Garland (por O Mágico de Oz), Mickey Rooney e Hayley Mills (a última vencedora em 1961) foram agraciados. A categoria foi descontinuada quando a Academia percebeu que crianças poderiam competir em igualdade com adultos, como comprovado pela vitória de Patty Duke no Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 1963.
Outras categorias de vida mais curta incluem Melhor Direção de Dança, criada em 1936 e extinta após três anos (1938), que homenageava coreógrafos como Busby Berkeley e Hermes Pan (parceiro de Fred Astaire). Sua descontinuação ocorreu devido à pressão do Sindicato dos Diretores (DGA), que argumentava que a direção de cenas musicais era responsabilidade do diretor principal. O prêmio de Melhor Assistente de Direção, existente de 1933 a 1937, reconhecia a importância desses profissionais na logística do sistema de estúdios, mas foi removido por ser considerado excessivamente técnico. Já a Melhor Entretitulagem, uma relíquia da primeira cerimônia de 1929, premiou Joseph Farnham pela arte dos textos em filmes mudos, tornando-se obsoleta com a ascensão do cinema falado. Por fim, a categoria de Melhor História Original, que diferenciava a ideia da trama do roteiro final, foi fundida com Melhor Roteiro Original em 1957, após premiar clássicos como Aconteceu Naquela Noite e Sr. Smith Vai a Washington.
As alterações nas categorias do Oscar não se limitaram ao século passado, com a Academia continuando a ajustar os prêmios conforme a tecnologia avança. Na primeira cerimônia, por exemplo, o filme Wings (Asas) recebeu o prêmio de “Melhores Efeitos de Engenharia”, o precursor da atual categoria de Melhores Efeitos Visuais. Naquele mesmo ano, a premiação de Melhor Diretor foi dividida em Comédia, vencida por Lewis Milestone, e Drama, por Frank Borzage. Mais recentemente, em 2021, a categoria de Melhor Edição de Som foi extinta e fundida com Melhor Mixagem de Som, resultando na categoria unificada de Melhor Som. Essas categorias, embora não existam mais, são peças fundamentais no quebra-cabeça da história do cinema, lembrando que a sétima arte é uma disciplina viva, sempre buscando novas formas de reconhecer a excelência técnica e artística.

