
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) rejeitou, na última segunda-feira, 13 de abril de 2026, os pedidos de registro de novos medicamentos à base de semaglutida e liraglutida. As substâncias são amplamente utilizadas no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, e a decisão, publicada no Diário Oficial da União, impede a comercialização de três produtos que buscavam autorização para entrar no mercado brasileiro. As farmacêuticas Cipla, com as versões Plaobes e Lirahyp de liraglutida, e Dr. Reddy’s, com a semaglutida Embeltah, tiveram seus pleitos indeferidos.
A rejeição dos registros ocorreu no âmbito da via de “desenvolvimento abreviado”, um processo pelo qual as empresas tentam aproveitar dados já existentes sobre as substâncias, como estudos do medicamento original, para agilizar a aprovação. Contudo, mesmo nesse modelo, é mandatório que a farmacêutica demonstre, com dados próprios e suficientes, a qualidade, eficácia e segurança do seu produto. A Anvisa considerou que as comprovações apresentadas não foram adequadas, resultando no indeferimento e impedindo que esses medicamentos sejam vendidos no Brasil neste momento. Os motivos técnicos específicos para cada indeferimento não foram detalhados na publicação, prática comum em atos administrativos dessa natureza.
A decisão da Anvisa impacta diretamente a concorrência no mercado de medicamentos conhecidos como “canetas” para controle do diabetes e perda de peso. Com a postergação da entrada de novas alternativas, o mercado tende a manter sua concentração nas marcas já disponíveis, como Ozempic e Wegovy. Consequentemente, a oferta desses tratamentos permanece restrita diante de uma alta demanda, e os preços elevados tendem a ser mantidos no curto prazo, sem a pressão competitiva que a chegada de novos produtos poderia gerar.
Este cenário se desenrola em um momento de intensa movimentação no setor farmacêutico, especialmente após a recente queda da patente da semaglutida, substância presente em medicamentos de grande sucesso. O fim da exclusividade, que durou cerca de 20 anos, abriu caminho para que novas empresas buscassem a entrada no mercado. No Brasil, a Anvisa já recebeu ao menos 17 pedidos de registro para versões alternativas, mas até o momento, nenhum obteve aprovação. A semaglutida, por ser uma molécula complexa, exige um processo de avaliação mais rigoroso, demandando que cada novo produto comprove individualmente sua segurança e eficácia. Atualmente, muitos dos pedidos mais avançados encontram-se na fase de exigências técnicas, onde a Anvisa solicita dados adicionais às empresas antes de uma decisão final.
Apesar dos indeferimentos recentes, a expectativa do setor é que as primeiras versões alternativas de medicamentos à base de semaglutida possam ser aprovadas ainda em 2026. A concretização dessas aprovações dependerá da qualidade das informações e comprovações apresentadas pelas farmacêuticas. A chegada desses novos produtos é vista como um fator crucial para expandir a oferta no mercado e, a longo prazo, exercer uma pressão significativa para a redução dos preços, algo que ainda não se verificou no país.

